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Sexta-feira, 01 de Maio 2026
Notícias/Policial

Do Macapaba à capital: o cerco das facções sobre o voto no Amapá

De eleição de associação de moradores a campanha municipal, o cerco do crime organizado sobre o processo democrático se aperta, com a Polícia Civil investigando o pleito deste domingo no Macapaba e a Federal relembrando prisões de 2024 ligadas à campanha do prefeito Furlan.

Do Macapaba à capital: o cerco das facções sobre o voto no Amapá
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A sombra das facções criminosas sobre o processo eleitoral não é novidade no Amapá, e os recentes acontecimentos em Macapá reforçam a preocupante tônica que deve permear as eleições de 2026. Se antes as suspeitas pairavam sobre pleitos de maior envergadura, agora o alerta se acende até mesmo em disputas locais, como a da associação de moradores do Conjunto Macapaba.

Nesta segunda-feira (7), a Polícia Civil do Amapá deve iniciar as investigações para apurar o possível envolvimento de facção criminosa na eleição para a presidência da associação de moradores do Macapaba, o maior conjunto habitacional do estado. O estopim para a investigação foi a prisão, no domingo (6), de um traficante que estaria oferecendo drogas e dinheiro em troca de votos para uma das candidatas à presidência da associação.

A Polícia Militar do Amapá, durante a "Operação Eleição Segura Macapaba", agiu após denúncias anônimas. Por volta das 9h45, a Força Tática foi informada sobre a atuação de um traficante na Rua Miguel Araiz, no Macapaba I, que oferecia entorpecentes e dinheiro em troca de apoio à Chapa 30. Denúncias apontam que a candidata Ruth Pessoa, da Chapa 30, seria apoiada por uma facção criminosa.

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O suspeito, identificado como Antônio Matheus Santos da Mata, de 26 anos, foi localizado nas imediações e tentou fugir, mas foi detido. Com ele, os policiais encontraram 12 porções de cocaína, três de crack, uma porção média de maconha e R$ 173 em dinheiro trocado – características do tráfico de drogas.

Antônio Matheus, que possui extensa ficha criminal, estava em regime aberto domiciliar, com a obrigação de permanecer em casa nos fins de semana e feriados, o que ele descumpria no momento da abordagem. Ele foi algemado e conduzido ao Ciosp do Pacoval, permanecendo à disposição da Justiça.

Em nota, a candidata à presidência da Associação de Moradores do Macapaba, Professora Ruth Pessoa, que perdeu as eleições, negou qualquer envolvimento com o tráfico ou tentativa de compra de votos. Em um vídeo gravado em frente ao local de votação, Ruth afirmou que sua campanha é pautada pela honestidade e transparência, rechaçando qualquer relação com práticas ilícitas.

Histórico de infiltração: a operação da PF em 2024

O cenário atual em Macapá não é um caso isolado. As tentativas de facções criminosas em influenciar o pleito eleitoral no Amapá já foram alvo de investigações da Polícia Federal em 2024. No dia 20 de setembro do ano passado, a PF deflagrou uma operação que investigava o patrocínio de facções criminosas para campanhas eleitorais e tráfico de drogas, cumprindo mandados de busca e apreensão e prisões preventivas em diversos bairros de Macapá e Santana.

Um dos alvos da operação, que contou com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/AP), foi Jesaias Silva e Silva, conhecido como "Jesa", subsecretário municipal de Zeladoria Urbana da Prefeitura de Macapá e representante do prefeito Antônio Furlan no Conjunto Macapaba. Jesa, homem de confiança de Furlan, apresentava em seu currículo 74 processos judiciais.

Outro alvo da "Operação Herodes" foi o então candidato a vereador Luanderson Alves (PSD), conhecido como “Caçula”, suspeito de ter ligação com uma facção criminosa atuante no estado. Caçula era figura de linha de frente na mobilização e apoio à tentativa de reeleição do atual prefeito, Dr. Furlan (MDB).

A suspeita era que uma facção criminosa com forte atuação no Estado estaria financiando a campanha de um de seus membros, com o objetivo de infiltrar um suposto faccionado na Câmara de Vereadores de Macapá, onde o indivíduo teria poderes para legislar em favor da organização criminosa. Os investigados na época poderiam responder pelos crimes de coação eleitoral, compra de votos, tráfico de drogas, lavagem de capitais e organização criminosa, com penas que somadas ultrapassariam os 40 anos de reclusão.

Esses episódios recentes e o histórico investigado pela Polícia Federal reforçam a grave preocupação com a interferência de facções nas eleições, desde o âmbito comunitário até o municipal. A tendência é que essa seja uma das tônicas a serem enfrentadas pelas autoridades e pela sociedade nas eleições gerais de 2026.

De Bubuia

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