Às 11h04 da manhã, diante das câmeras do jornal Tribuna do Vale, o criminoso Lucas de Souza Nonato, de 28 anos, abriu a porta da pequena casa de madeira na passarela Vagalume e se entregou. A cena, transmitida ao vivo, marcou o fim do mais longo cerco policial da história do Amapá.
Pouco antes, às 10h, a menina Ana Beatriz, de 10 anos, havia sido libertada. Às 10h55, foi a vez da mãe. A tensão que atravessou toda a noite e a madrugada terminava com suspiros de alívio e o som metálico das algemas.
A mais longa negociação do Amapá
Desde a tarde de sexta-feira (22), quando matou o policial civil Mayson dentro da delegacia de Laranjal do Jari, Lucas arrastou o Amapá inteiro para o seu drama. Refugiado em uma pequena casa de dois quartos, escondido em um cômodo com uma única janela lateral, manteve mãe e filha como escudo humano.
Foram mais de 17 horas de negociação, a mais longa da história policial do estado. O capitão Alan Miranda, que conduziu o diálogo, resumiu a missão. “A prioridade era preservar vidas. Essa foi a negociação de maior tempo da Polícia Militar, mas no final deu certo.”
O perfil do criminoso
Descrito pelos agentes como um homem “frio”, Lucas de Souza Nonato já era um velho conhecido da Justiça. Foragido do Pará, tem mandados de prisão em aberto por estupro e roubo, além de uma condenação por tentativa de latrocínio.
O legado de Mayson
O policial civil Mayson, que estava na corporação desde 1º de outubro de 2018, tombou dentro da própria delegacia, no exercício do dever. Ele vivia um momento especial: a esposa está grávida de cinco meses de um menino e chegou a fazer o registro em vídeo.
Entre a vida e a morte
Ao longo da noite, Lucas fez lives, exigiu a presença da imprensa e da irmã, pediu um colete que nunca lhe foi entregue. Disse estar aproveitando os “últimos momentos de sua vida, seja vivo ou morto”. Contraditório e instável, manteve a tensão até o último segundo.
No fim, a escolha da polícia foi a paciência. Cortaram energia, cortaram internet, cercaram cada palmo de ponte e casa no entorno. E esperaram.
O desfecho
Quando Ana Beatriz saiu correndo, o tempo pareceu suspender-se. A mãe, ainda dentro, tornou-se a última peça de um jogo cruel. Pouco depois, também foi libertada. Às 11h04, o silêncio cedeu ao som das algemas.
Lucas foi levado sob forte escolta. Ana Beatriz voltou ao colo da mãe. E o Amapá registrou em sua história o mais longo cerco policial já vivido: uma noite de reféns, sangue e esperança, encerrada não pelo disparo de uma arma, mas pelo peso da rendição.
Nota do Governo do Amapá
O governador Clécio Luís lamentou a morte do policial civil Mayson Viana de Freitas, destacando que ele era “um profissional querido e responsável” e que vivia um momento especial da vida pessoal ao lado da esposa, grávida de cinco meses.
Clécio manifestou solidariedade à família, à corporação e à comunidade, e reafirmou que o Governo do Estado acompanha de perto a ocorrência com as forças de segurança integradas.
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