Quarta-feira (30) foi de portas fechadas, silêncio pesado e atenção redobrada na Vara Única de Vitória do Jari. No banco dos réus, Geane Lobato Corrêa, Jheymerson Santos Souza e Júnior Duarte Jardim ouviam a sentença que selaria o destino deles: a condenação pelo homicídio de Sabrina Alves de Souza, crime que chocou a cidade em agosto de 2022.
O caso, marcado pela crueldade e pelos vínculos com o tráfico de drogas, voltou a ganhar força no tribunal do júri. De acordo com o processo, Sabrina foi morta no dia 30 de agosto de 2022, na Passarela Yone, no bairro Comercial de Vitória do Jari. A investigação revelou que ela vinha sendo cobrada por dívidas relacionadas ao tráfico, sob ameaças da facção criminosa UCA.
O delegado responsável pelo caso conseguiu localizar o celular da vítima. Nas mensagens, a prova: cobranças, intimidações e ordens que escancararam o envolvimento da organização criminosa no crime.
A sentença
Conduzida pelo juiz substituto Luiz Gabriel Verçoza, a sessão popular não deixou brechas. O Conselho de Sentença reconheceu a autoria, rejeitou os pedidos de absolvição e confirmou todas as qualificadoras da acusação.
- Geane Lobato Corrêa – condenada a 22 anos e 6 meses de reclusão, mais 10 dias-multa.
- Jheymerson Santos Souza – condenado a 29 anos, 5 meses e 15 dias, mais 112 dias-multa.
- Júnior Duarte Jardim – mesma pena de 29 anos, 5 meses e 15 dias, além de 112 dias-multa.
Todos iniciarão o cumprimento em regime fechado.
A sentença não apenas fecha um ciclo de impunidade, mas também expõe o alcance das facções em cidades do interior, onde cobranças de dívidas, ameaças e mortes ainda são uma moeda cruel.
