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Sexta-feira, 01 de Maio 2026
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PF cita laranja com Síndrome de Down em esquema no Hospital Geral de Macapá

Operação Paroxismo aponta repasse de R$ 70 mil para conta de idoso com Síndrome Down. Ele é tio da esposa do vereador Bruno Igreja, da base do prefeito Furlan.

PF cita laranja com Síndrome de Down em esquema no Hospital Geral de Macapá
Adriano Braga Ribeiro, idoso com Síndrome de Down, tio da esposa do vereador Bruno Igreja
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O site De Bubuia teve acesso a relatórios da Polícia Federal que revelam um dos trechos mais sensíveis da investigação sobre a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá: a transferência de valores que, segundo a PF, teriam origem em recursos públicos desviados da obra para a conta de um idoso com Síndrome de Down, tio da esposa do vereador Bruno Igreja, da base do prefeito Furlan.

Segundo a PF, o caso expõe que o esquema de desvio de recursos não poupou sequer pessoas em condição de vulnerabilidade, usadas como meio para ocultar a origem e o destino do dinheiro.

Como funcionava o esquema de desvio

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De acordo com a Polícia Federal, a obra do Hospital Geral Municipal de Macapá, orçada em R$ 69,3 milhões, teria sido atravessada por um esquema estruturado de corrupção, com duas frentes principais:

  • circulação de dinheiro vivo, fora do sistema bancário;
  • transferências bancárias fracionadas para familiares e pessoas próximas a agentes políticos.

A empreiteira contratada, Santa Rita Engenharia Ltda., é apontada como o ponto de origem dos valores desviados.

O papel da empreiteira e dos operadores

Os relatórios indicam que o sócio-administrador Rodrigo de Queiroz Moreira atuava como operador central do esquema, realizando saques vultosos em espécie e transferências consideradas incompatíveis com a atividade empresarial.

Outro sócio, Fabrizio de Almeida Gonçalves, também aparece envolvido na movimentação financeira analisada pela PF.

Após sair da esfera empresarial, o dinheiro seguia para um núcleo político, formado por intermediários com acesso direto ao poder municipal.

Vereador, familiares e contas de passagem

Entre os agentes políticos citados está o vereador Bruno Igreja, líder do governo Furlan na Câmara Municipal. A investigação aponta que familiares ligados ao parlamentar receberam transferências da empreiteira, ainda em 2024.

Segundo a PF, não há nos autos qualquer comprovação de prestação de serviços que justifique esses repasses.

A transferência que escancara a falta de escrúpulos

O trecho mais grave do relatório envolve a transferência de R$ 70 mil, em três repasses,  para Adriano Braga Ribeiro, idoso com Síndrome de Down, tio da esposa do vereador.

Para os investigadores, a escolha desse destinatário evidencia o uso de interposta pessoa em condição de vulnerabilidade, prática adotada para reduzir alertas automáticos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

A PF afirma que a conta foi utilizada exclusivamente como meio de passagem, sem qualquer relação comercial ou contratual legítima.

Outras transferências identificadas

Além do repasse ao idoso com deficiência, a Polícia Federal identificou:

  • R$ 15 mil transferidos para Marlene Conceição Ribeiro Tavares, sogra do vereador;
  • R$ 100 mil enviados para Isabella Cristina Moreira Favacho, ex-esposa do prefeito e mãe de dois filhos dele.

Segundo o relatório, todas as transferências ocorreram sem justificativa econômica compatível.

O “caminho da mochila” e o dinheiro em espécie

Paralelamente às transferências bancárias, a PF flagrou o transporte físico do dinheiro no que passou a chamar de “caminho da mochila”. Uma vigilância que reconstrói passo a passo a rota do dinheiro, do banco a encontros discretos até chegar nas mãos do motorista particular o prefeito de Macapá, Antônio Furlan.

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Diagrama mostra a teia das conexões.

LEIA MAIS AQUI - COMO A POLÍCIA FEDERAL RASTREOU R$ 400 MIL ATÉ O PREFEITO FURLAN

O que a PF aponta como crime

Nos autos, os investigadores indicam, em tese, a prática de:

  • peculato;
  • lavagem de capitais;
  • fraude ao caráter competitivo da licitação;
  • uso de interposta pessoa para ocultação de recursos públicos.

Todo o material integra a Operação Paroxismo, que apura irregularidades na construção do hospital.

O caso não trata apenas de valores desviados. Ele revela um método: dinheiro em espécie, transferências pulverizadas, familiares usados como escudo e pessoas vulneráveis instrumentalizadas para ocultar corrupção.

Para a Polícia Federal, a utilização da conta de um idoso com Síndrome de Down marca um ponto crítico da investigação e expõe que, no esquema apurado, não houve limite ético na tentativa de esconder o dinheiro público.

De Bubuia

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