A Polícia Civil do Amapá prendeu 18 pessoas e suspendeu as atividades de três empresas suspeitas de aplicar golpes com falsos consórcios em lojas físicas no centro da capital. A ação faz parte da segunda fase da Operação Pacto Falso, iniciada em 2025 para combater uma quadrilha que atuava no estado.
As investigações revelaram que uma das empresas possuía CNPJ registrado em Mato Grosso, mas funcionava em uma residência precária em área de ponte, em Macapá. O esquema atraía vítimas com promessas de entrega rápida de bens como imóveis, veículos e até embarcações. No entanto, os contratos assinados eram de consórcios comuns, sem garantia de contemplação.

Segundo a delegada Janeci Monteiro, da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Consumidor (Deccon), apenas prender os responsáveis não era suficiente: “Era preciso impedir que as empresas continuassem funcionando e enganando consumidores”.
O golpe atingiu centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade. Ribeirinhos, idosos e pessoas com deficiência estão entre as principais vítimas. Um ribeirinho relatou que tentou comprar uma catraia de R$ 50 mil, pagando R$ 5 mil de entrada e parcelas de R$ 480. Ele contou que o vendedor prometeu a entrega em duas datas, mas nunca cumpriu.
“Assim que eu desse os cinco mil, ele me entregava a catraia. Esperei e nada aconteceu. Foi aí que percebi que tinha caído em um golpe”, disse a vítima, que preferiu não se identificar.
A delegada informou que apenas em uma das empresas já foram identificadas 600 vítimas. Ainda não há estimativa do prejuízo total, já que todos os dias novos casos são registrados.
A Justiça determinou a suspensão imediata das atividades das empresas investigadas, como forma de evitar que mais consumidores sejam enganados.
A Polícia Civil orienta a população a verificar no Banco Central se a empresa é autorizada a operar consórcios e pesquisar possíveis processos contra os responsáveis no site do Tribunal de Justiça.
“Se alguém prometer um bem caro com entrada simbólica e entrega em poucos dias, desconfie. Leia atentamente o contrato e não confie só na palavra do vendedor”, alertou a delegada.
