O Ministério Público do Amapá (MP-AP) elevou o tom na investigação sobre o concurso da Prefeitura de Mazagão e deu um novo passo que pode travar completamente o certame.
Na quinta-feira (30), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) expediu uma recomendação direta à banca organizadora, o Instituto INAZ do Pará, determinando que os malotes com provas e gabaritos não sejam abertos.
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Por que o MP quer impedir a abertura dos malotes
A medida vai além de cautela. Segundo o MP, permitir a continuidade da correção das provas neste momento pode:
- Consumir provas da fraude
- Dificultar a identificação de adulterações
- Comprometer a rastreabilidade do material
- Gerar prejuízos irreversíveis aos candidatos
Por isso, o órgão determinou que todo o material permaneça lacrado, sob custódia rigorosa e em local seguro, preservando a cadeia de custódia.
O que a banca terá que entregar em 72 horas
Além de travar o processo, o MP impôs uma exigência pesada: A INAZ deve apresentar, em até 72 horas, um relatório completo com:
- Lista nominal de todos os colaboradores
- Registros de acesso aos locais onde estavam os malotes
- Controle de quem teve contato com o material após a prova
Na prática, o MP quer reconstruir o caminho das provas — e identificar onde pode ter ocorrido o vazamento.
Se não cumprir, concurso pode ser suspenso
O recado do Ministério Público é direto:
Se a recomendação for ignorada, o órgão pode:
- Acionar a Justiça com Ação Civil Pública
- Apontar possível improbidade administrativa
- Pedir a suspensão total do concurso
Ou seja, o caso já saiu do campo administrativo e entrou na rota de judicialização pesada.
Como isso se conecta com a Operação Gabarito
A decisão é um desdobramento direto da operação deflagrada no dia 26 de abril, quando o Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão em Mazagão.
As investigações apontam um possível esquema de:
- Venda antecipada de gabaritos
- Valores entre R$ 10 mil e R$ 30 mil
- Participação de pessoas ligadas à gestão municipal
O que muda agora no cenário
Com essa recomendação, o jogo vira:
- O concurso fica sob risco real de suspensão
- A pressão aumenta sobre banca e Prefeitura
- A investigação ganha tempo para rastrear possíveis fraudes
E o principal: qualquer movimentação agora pode deixar rastros ou destruir provas.
