Furlan deixou MacapaPrev afundar até atingir aposentados
A crise da MacapaPrev não começou em abril de 2026. Ela foi construída ao longo de anos. Relatórios do TCE e do Ministério da Previdência de 2025 alertaram para o atrasado.
O atraso de alguns dias no pagamento de aposentados e pensionistas da MacapaPrev, registrado no fim de abril, não surgiu de forma inesperada ou por má gestão como tentam argumentar os aliados políticos do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, que renunciou ao cargo após denúncias de corrupção feitas pela Polícia Federal.
Documentos oficiais de 2025 revelam que o problema foi previsto com antecedência por órgãos de controle e ignorado pela gestão Furlan.
Muito antes do impacto direto no bolso de aposentados, os alertas já estavam formalizados.
Em agosto de 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AP) foi direto: a má gestão previdenciária colocava em risco o equilíbrio financeiro do município e o pagamento de benefícios. O parecer destacava que o descontrole poderia afetar diretamente as finanças públicas e comprometer políticas públicas. LEIA O DIÁRIO OFICIAL ONDE CONSTA O ALERTA.
O aviso não era retórico. Era técnico. E foi ignorado.
O rombo bilionário silencioso
Dois meses depois, em outubro de 2025, o Ministério da Previdência reforçou o alerta com números ainda mais graves.
Relatório assinado por auditor federal apontou que:
Os recursos da MacapaPrev despencaram de R$ 176,8 milhões (jul/2023) para R$ 39,4 milhões (jul/2025)
Uma perda de mais de R$ 137 milhões em dois anos
Além disso, foram identificadas falhas estruturais:
Não repasse integral da contribuição patronal
Déficit acumulado de R$ 84,2 milhões
Ausência de envio de relatórios obrigatórios (DIPR e DRAA)
Falta de transparência na gestão dos recursos
LEIA O DOCUMENTO DO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA ENVIADO AO FURLAN
O próprio Ministério registrou “ausência de informações prestadas” pela MacapaPrev no processo de fiscalização
Quando o alerta vira consequência
A sequência dos fatos desmonta a tese de surpresa:
2024 — TCE abre investigação por irregularidades e falta de transparência
2025 (ago) — TCE alerta para risco direto no pagamento de aposentadorias
2025 (out) — Ministério da Previdência confirma colapso financeiro
2025–2026 — irregularidades persistem sem correção
2026 (abril) — atraso no pagamento finalmente acontece
SAQUES FEITOS POR FURLAN A PARTIR DE 2021, QUANDO ELE ASSUMIU A PREFEITURA
Ou seja: o atraso não é causa. É efeito.
O risco institucional: CRP e bloqueio de recursos
As falhas não ficaram apenas no campo contábil.
O Ministério da Previdência chegou a sancionar o município por falta de resposta à fiscalização, afetando critérios necessários para obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP).
Sem o CRP, a prefeitura pode:
Ficar impedida de receber transferências da União
Perder acesso a convênios federais
Agravar ainda mais o desequilíbrio financeiro
E mais: mesmo com decisão judicial garantindo o CRP, há risco de queda da liminar, o que deixaria o município travado administrativamente.
Dinheiro sumiu, explicação não veio
O ponto mais sensível permanece sem resposta clara: para onde foram os mais de R$ 137 milhões?
Os órgãos de controle cobraram:
justificativa para a queda brusca dos recursos
explicação para não repasse das contribuições
comprovação da segregação financeira dos fundos
Mas o silêncio institucional foi registrado oficialmente.
O atraso que virou disputa política
Transformar o atraso pontual de pagamentos em responsabilidade exclusiva da gestão atual ignora uma sequência documentada de alertas técnicos, auditorias e notificações anteriores.
A crise da MacapaPrev não começou em abril de 2026. Ela foi construída ao longo de anos.
E, como um vazamento que ninguém quis consertar, só apareceu quando a água já estava na sala.
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