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Sábado, 02 de Maio 2026
Notícias/Política

Rede de influência avançou na MacapáPrev com conhecimento do ex-prefeito Furlan

Contrato de R$ 1,6 milhão expõe rede de influência envolvendo os ex-presidentes da MacapáPrev, Janayna e Leivo, indicados pelo empresário Kassyo Ramos com consentimento de Furlan.

Rede de influência avançou na MacapáPrev com conhecimento do ex-prefeito Furlan
Quem tinha acesso, quem indicou e quem lucrou: a engrenagem da MacapáPrev começa a se revelar. Foto criada por IA
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As novas informações apresentadas durante coletiva nesta quarta-feira (18) pelo Gabinete de Emergência Administrativa e Financeira colocaram a MacapaPrev no centro de uma investigação ainda mais ampla.

Além da invasão e do rombo milionário, os dados revelam a existência de uma possível rede de influência política e familiar envolvendo indicações, parentesco e um contrato de R$ 1,6 milhão firmado dentro da autarquia durante a gestão do ex-prefeito Antônio Furlan.

Coletiva expõe novos elementos da investigação

As informações foram detalhadas durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (18) pelo Gabinete de Emergência Administrativa e Financeira.

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A apresentação foi conduzida pelo porta-voz Renivaldo Costa e pelo assessor jurídico Samuel Falavinha, que atualizaram os desdobramentos da invasão e das medidas adotadas pela administração.

Durante a coletiva, foi confirmado que:

  • já há inquérito policial instaurado
  • a Polícia Científica realizou levantamentos iniciais
  • novas diligências estão em andamento
  • informações e possíveis provas seguem sendo encaminhadas às autoridades

Outro ponto que chamou atenção foi a menção a informações externas e supostamente privilegiadas, que teriam surgido publicamente nos últimos dias.

Segundo a gestão, foi solicitado que qualquer material, incluindo imagens ou dados, seja oficialmente entregue à polícia para investigação.

Documento revela estrutura de custos e reforça peso do contrato

Durante a coletiva desta quarta-feira (18), foram apresentados detalhes que ajudam a entender o tamanho da operação dentro da MacapaPrev.

Uma planilha interna do contrato de terceirização mostra a composição da mão de obra vinculada à empresa, incluindo cargos como:

  • Servente
  • Recepcionista
  • Motorista
  • Encarregado
  • Copeira

Os valores mensais somados ultrapassam R$ 117 mil, o que projeta um custo anual elevado dentro do contrato milionário.

O documento reforça dois pontos centrais da investigação:

  1. A presença estruturada da empresa dentro do órgão, com equipe fixa
  2. O acesso contínuo a setores estratégicos, incluindo áreas administrativas e operacionais

Esse nível de inserção amplia a preocupação sobre o alcance das informações que poderiam estar sob controle indireto do grupo.

Indicações, parentesco e poder concentrado

No centro dessa engrenagem está o empresário Kassyo Ramos, figura com atuação política nacional e influência direta nas indicações feitas para cargos estratégicos da previdência municipal e aliado do ex-prefeito Antônio Furlan.

As informações apontam que Kassyo foi responsável por indicar Leivo Rodrigues para a presidência da MacapaPrev em 2023.

Posteriormente, mesmo após Leivo se tornar alvo de questionamentos e pedidos de afastamento por órgãos de controle, ele permaneceu na estrutura do órgão, ainda exercendo influência direta.

Na sequência, com o afastamento, quem assume o comando da autarquia é Janayna Ramos, prima de primeiro grau de Kassyo. Ou seja, a presidência da MacapaPrev permaneceu dentro de um mesmo círculo de influência.

Mas o ponto que mais chama atenção não é apenas a sucessão é o que vem junto com ela.

Empresa ligada ao grupo operava dentro do órgão

Durante análise recente de contratos, a atual gestão identificou que uma empresa terceirizada com atuação dentro da MacapaPrev pertence ao próprio Kassyo Ramos.

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O contrato, firmado ainda em fevereiro de 2024, durante a gestão de Leivo Rodrigues, foi realizado sem licitação, por dispensa, e posteriormente repactuado, alcançando valores próximos de R$ 1,6 milhão por ano.

A empresa tinha acesso direto a setores internos da previdência, incluindo áreas administrativas e documentos sensíveis.

Segundo relatos da atual gestão, esse acesso ocorria sem controle rigoroso, o que levantou suspeitas após a identificação de possíveis vazamentos de informações.

Há indícios de que trabalhadores vinculados à empresa teriam fotografado documentos e repassado dados a terceiros.

Contrato foi rompido e caso levado à polícia

Diante das irregularidades identificadas, a atual gestão da MacapaPrev decidiu romper unilateralmente o contrato com a empresa.

A decisão gerou tensão, com registro de boletins de ocorrência após tentativas de acesso ao prédio por parte de funcionários terceirizados, mesmo após a rescisão.

A situação foi comunicada às autoridades e já integra o conjunto de informações encaminhadas à Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar o caso.

Relação não era desconhecida

O que mais pesa no cenário é que essa estrutura de indicações e contratos não era inédita nem desconhecida.

Desde 2024, veículos da imprensa amapaense já vinham apontando a ligação entre Kassyo Ramos, a MacapaPrev e as indicações políticas dentro do órgão.

A permanência dessa dinâmica ao longo do tempo levanta um ponto central:

a gestão municipal tinha conhecimento dessas relações.

À época, o então prefeito Antônio Furlan conduzia a administração e manteve as indicações dentro da estrutura da previdência, mesmo diante de alertas e investigações em andamento.

Invasão e apagão entram no radar

Esse cenário ganha ainda mais gravidade quando cruzado com os acontecimentos recentes.

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A invasão à sede da MacapaPrev, com furto de equipamentos e interrupção de sistemas, ocorreu justamente após o início de revisões contratuais e levantamento de dados internos.

A perícia já apontou:

  • ausência de arrombamento externo
  • interrupção de sistemas
  • alvo concentrado em equipamentos estratégicos

Nos bastidores, a principal linha de investigação considera a possibilidade de acesso facilitado e eventual interesse em informações internas.

Uma sequência que começa a se encaixar

A indicação de gestores, o parentesco direto, a contratação de empresa ligada ao mesmo grupo e o acesso a dados internos formam uma sequência de fatos que, agora, passam a ser analisados de forma conjunta.

Não se trata apenas de um contrato ou de uma nomeação isolada.

Mas de um modelo de ocupação de espaço dentro de um órgão responsável por recursos milionários.

A pergunta que permanece

Com inquérito policial aberto, auditorias em andamento e novos elementos surgindo, a investigação entra em uma fase decisiva.

E uma pergunta começa a ganhar força dentro e fora da gestão pública: até onde vai essa rede de influência e o que ela tinha acesso dentro da MacapaPrev?

De Bubuia

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