A divulgação de um áudio atribuído ao senador Davi Alcolumbre abriu mais um capítulo na disputa política no Amapá, mas, ao contrário da narrativa apresentada nacionalmente, o conteúdo tem sido interpretado por aliados como uma demonstração de postura institucional e compromisso com resultados coletivos.
OUÇA O ÁUDIO
Gravado sem conhecimento do parlamentar, o material registra uma conversa com o então presidente da Câmara de Macapá, Pedro DaLua, em meio a um impasse institucional envolvendo o município.
O ponto central ignorado
No áudio, Alcolumbre discute com Pedro DaLua uma estratégia para enfrentar o impasse no repasse do duodécimo, que é obrigatório por lei.
O senador afirma que o prefeito “tem muito poder, mas não pode tudo” e defende que o caso seja levado ao tribunal, indicando reação a um possível crime de responsabilidade.
Política de grupo x política de imagem
Durante a conversa, há críticas ao então prefeito Antônio Furlan, apontado como alguém que tenta se apropriar de obras e resultados coletivos.
“Querendo ganhar os louros só pra ele, pra mulher dele, pro irmão dele”
A fala expõe um embate clássico: gestão compartilhada versus capitalização individual.
A frase que resume tudo
Ainda no diálogo com DaLua, Alcolumbre afirma: “Eu não faço política assim. Eu faço política de grupo, política de entrega.”
Para aliados, esse é o núcleo real da conversa, ignorado por parte da cobertura nacional e dos sites e blog aliados ao ex-prefeito Furlan.
Nova frente: suspeita de grampo clandestino
A fala de Pedro DaLua adiciona um novo elemento ao caso: a origem da gravação.
Segundo ele, há fortes indícios de que o áudio tenha sido obtido por meio de gravação clandestina, possivelmente com uso de escuta ambiental.
“Tenho várias suspeitas como telefone grampeado ou gravação dentro do carro… esse tipo de gravação só pode ser feita dessa forma.”
DaLua afirma que:
- não gravou o senador
- Alcolumbre também não
- o material teria sido guardado e divulgado no momento considerado mais conveniente politicamente
Bastidor, legalidade e disputa de narrativa
Nos bastidores, a avaliação é de que o diálogo entre Alcolumbre e Pedro DaLua reflete uma prática comum da política: articulação institucional diante de conflitos entre poderes.
Ao mesmo tempo, a suspeita de grampo desloca o debate para outro campo, o da legalidade e do uso político de informações obtidas de forma possivelmente irregular.
