O domingo (3) foi de barulho e protesto em Macapá. Centenas de pessoas se concentraram no Complexo do Araxá e transformaram a orla em um palco de buzinaço contra o senador Lucas Barreto (PSD). A manifestação, marcada por carros, faixas e gritos de repúdio, teve um recado direto: o povo do Amapá não aceita mais a atuação do parlamentar.
A adesão surpreendeu pela intensidade. A cada buzina, reforçava-se a ideia de que Lucas Barreto perdeu conexão com a base que um dia o elegeu. A principal crítica dos manifestantes é que o senador se tornou símbolo da inutilidade no Senado, omisso, sem voz ativa e distante das pautas que realmente interessam à população amapaense.
O estopim para o protesto foi a posição de Barreto em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele aparece na lista de senadores que apoiam o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, após pressão articulada pela extrema direita brasileira e endossada por sanções do governo dos Estados Unidos. No Amapá, a postura foi vista como submissão ao bolsonarismo e às chantagens internacionais.
Enquanto Barreto se alinhou ao pedido de afastamento de Moraes, outros representantes do Estado adotaram rumos distintos. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT), defendeu publicamente o ministro, repudiando qualquer tentativa de ataque à soberania do Judiciário.
Nas ruas, porém, a reação foi clara. A população não comprou a narrativa do senador do PSD. Para muitos manifestantes, Lucas Barreto deixou de representar o Amapá, assumindo uma pauta que nada dialoga com as necessidades locais.
A insatisfação popular sinaliza um desafio enorme para o senador. Com sua imagem desgastada, ele entra na rota de colisão com o eleitorado em 2026. O buzinaço de domingo mostrou que não se trata apenas de divergência política, mas de rejeição explícita a quem, na visão dos amapaenses, falhou em defender os interesses do Estado no Senado Federal.
