A pesquisa divulgada pelo Instituto Paraná Pesquisas no dia 17 de julho aponta a primeira-dama de Macapá, Rayssa Furlan, como líder isolada na disputa para o Senado Federal nas eleições de 2026. Na simulação estimulada, Rayssa aparece com 61,8% das intenções de voto, superando nomes experientes e já testados nas urnas como Lucas Barreto (47,9%), Randolfe Rodrigues (40,8%) e Waldez Góes (19,3%).
O resultado, no entanto, não encontra respaldo na realidade política do Amapá e levanta uma série de questionamentos sobre o método e a interpretação dos dados.
Desconhecimento fora de Macapá
Apesar do desempenho surpreendente, Rayssa Furlan nunca exerceu mandato eletivo e não possui trajetória política consolidada em nível estadual. Seu nome está diretamente vinculado ao do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, o que explica sua visibilidade dentro da capital, mas não fora dela.
No interior do estado, onde a política ainda gira em torno de lideranças tradicionais e alianças locais, Rayssa é praticamente uma desconhecida. Ainda assim, a pesquisa a coloca como favorita em uma disputa onde os eleitores supostamente poderiam votar em dois candidatos ao Senado - o que tende a pulverizar votos, e não concentrá-los em uma figura com alcance restrito.
Lembrança espontânea expõe inconsistência
O dado mais revelador da pesquisa é, paradoxalmente, o que está escondido entre as páginas: na pergunta espontânea, quando o eleitor responde sem ver uma lista de candidatos, Rayssa aparece com apenas 7,6% das menções. Isso significa que ela não é, naturalmente, lembrada como opção de voto pela maioria da população - o que contradiz a performance expressiva na pergunta estimulada.
Essa diferença tão grande entre a lembrança espontânea e a intenção estimulada normalmente indica baixa consolidação do voto. Quando um nome aparece muito bem em um cenário com lista, mas quase não é citado espontaneamente, é sinal de que o eleitor está apenas reconhecendo o nome - e não escolhendo de forma convicta.
Ausência de recorte geográfico e dados brutos
Outro ponto crítico é a ausência de detalhamento por município. Sem saber onde a candidata tem mais força, é impossível avaliar se os resultados refletem de fato uma tendência estadual ou apenas o impacto de seu nome em Macapá, que concentra cerca de 60% do eleitorado amapaense. Mesmo assim, sua liderança absoluta em um cenário com nomes como Randolfe, que tem alcance nacional, ou Waldez, ex-governador e agora ministro de Desenvolvimento Regional, causa estranheza.
Além disso, a pesquisa não apresenta os dados brutos nem margens por região, o que impede qualquer análise mais transparente do comportamento do eleitorado.
