Publicado pelo Metrópoles nesta segunda-feira (4), o episódio envolvendo o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), escancarou uma prática já corriqueira de sua gestão: apresentar obras custeadas com recursos federais como se fossem iniciativas da prefeitura.
No último dia 17 de julho, Furlan reuniu apoiadores no bairro Açucena para anunciar a construção de uma policlínica avaliada em R$ 30 milhões. O detalhe incômodo é que a obra foi proposta pelo governador Clécio Luís (Solidariedade) e será financiada integralmente pelo governo federal, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Apesar disso, o prefeito tratou o evento como uma conquista própria, citando até o apoio de parlamentares bolsonaristas como Vinícius Gurgel (PL) e Sílvia Waiãpi (PL). A contrapartida municipal, segundo ele, existiria — mas não foi detalhada. Furlan chegou a mencionar o Novo PAC, mas ignorou que a proposta registrada no Ministério da Saúde partiu oficialmente do governo estadual.
Nos bastidores de Brasília, o episódio acendeu um alerta no entorno do presidente Lula. Para aliados do Planalto, a apropriação de ações federais por gestores adversários fragiliza a comunicação das entregas do governo, comprometendo a narrativa eleitoral. A avaliação é de que, se esse cenário não mudar, o PT e partidos aliados continuarão a enfrentar derrotas no campo local, mesmo comandando a máquina federal.
Em Macapá, o caso da policlínica apenas reforça um padrão: Furlan tem usado inaugurações e ordens de serviço para transformar recursos federais em palanque político, vendendo-se como protagonista de investimentos que não partiram de sua gestão. Uma prática recorrente que, para críticos, mina a transparência e confunde a população sobre de onde realmente vem o dinheiro das obras.
