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Quinta-feira, 07 de Maio 2026
Notícias/Saúde

Lucas Barreto retira recursos da saúde de Macapá após renúncia de Furlan

Declaração foi feita pela secretária Renilda Costa durante audiência na Câmara; ela também citou funcionários fantasmas, falta de respeito aos autistas e crise na saúde municipal.

Lucas Barreto retira recursos da saúde de Macapá após renúncia de Furlan
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A crise na saúde de Macapá ganhou um novo componente político explosivo nesta terça-feira (5). Durante audiência na Câmara Municipal, a secretária de Saúde, Renilda Costa, revelou que o senador Lucas Barreto retirou emendas federais que estavam destinadas à capital poucos dias após a renúncia do ex-prefeito Antônio Furlan, investigado pela Polícia Federal na Operação Paroxismo, também conhecida como “Propinão da Saúde”.

Segundo a secretária, a Prefeitura havia cadastrado quase R$ 200 milhões em emendas para fortalecer a rede municipal em meio ao colapso financeiro enfrentado pela saúde pública. No entanto, os recursos foram redirecionados para Santana, aprofundando a pressão sobre hospitais, UBSs e atendimentos especializados da capital. 

A declaração foi interpretada nos bastidores políticos como uma traição direta à população de Macapá. Ao retirar recursos destinados à capital justamente no momento em que a saúde municipal mergulhava em crise, Lucas Barreto sinalizou prioridade ao grupo político do ex-prefeito Antônio Furlan, e não aos milhares de moradores da cidade que também confiaram nele nas urnas.

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A fala da secretária transformou uma convocação feita por vereadores ligados ao antigo grupo político da Prefeitura em um contra-ataque público sobre a situação herdada pela atual gestão. 

Ao longo da audiência, Renilda citou suspeitas de servidores fantasmas, profissionais sem controle efetivo de carga horária, falhas graves no atendimento ao autismo e pagamentos médicos sem comprovação adequada de produção.

Autismo vira símbolo do abandono na saúde municipal

Um dos momentos mais sensíveis da audiência ocorreu quando a secretária abordou o atendimento às crianças autistas no chamado “Coração Azul”.

Renilda afirmou que encontrou profissionais cumprindo carga horária muito inferior à prevista, situação que, segundo ela, ajudava a aumentar filas e atrasar atendimentos especializados.

“Como que nós vamos vencer a demanda? Como que nós vamos vencer a lista de espera? Não tem como”, declarou. 

O tema ganha ainda mais repercussão política porque Antônio Furlan e a ex-primeira-dama Rayssa Furlan são pais de uma criança autista. Mesmo assim, mães de crianças atípicas continuaram denunciando dificuldades históricas de acesso, demora em atendimentos e deficiência na rede municipal especializada.

A própria secretária reconheceu o sentimento de abandono relatado pelas famílias.

“Quando as mães dizem assim: nós só somos enxergados em abril, é uma verdade”, afirmou. 

UBS com 452 servidores acende alerta sobre fantasmas

Outro trecho que provocou forte repercussão foi a revelação envolvendo a Unidade Básica de Saúde do Perpétuo Socorro.

Segundo Renilda, a gestão encontrou 452 servidores vinculados à unidade, número que gerou suspeita imediata dentro da Semsa.

A partir disso, a secretaria iniciou um pente-fino administrativo e afirmou ter encontrado funcionários que não apareciam nas unidades, além de casos em que folhas de ponto sequer chegavam à Secretaria de Saúde.

“Recebemos documentos de servidores que nunca foram vistos nas unidades”, disse a secretária. 

A declaração levanta suspeitas graves sobre possível existência de servidores fantasmas ou falhas severas no controle interno da pasta durante gestões anteriores.

A atual administração informou que iniciou recadastramento, visitas técnicas e revisão de vínculos para confirmar quem realmente exercia função nas unidades municipais.

Médicos sem produção e notas fiscais sob suspeita

Na reta final da audiência, Renilda revelou ainda que pagamentos médicos chegaram à nova gestão acompanhados apenas de notas fiscais, sem certificação formal dos atendimentos realizados.

Segundo ela, havia cobranças relacionadas até mesmo a atendimentos no arquipélago do Bailique sem comprovação adequada da produção médica.

A secretária afirmou que a equipe passou a exigir confirmação das unidades antes da liberação dos pagamentos.

“Não iríamos ser irresponsáveis”, declarou ao explicar que as notas passaram a ser auditadas uma a uma antes da quitação. 

A audiência, que deveria servir para pressionar a atual gestão, acabou transformada em uma exposição pública do tamanho da crise enfrentada pela saúde municipal de Macapá nos bastidores.

De Bubuia

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